Li para minha turma, recentemente, o livro Tenho Monstros na
Barriga, que aborda a história de um menino que pensa ter vários monstrinhos em
sua barriga. Na verdade, os monstrinhos eram vários sentimentos que a criança
vivenciara.
Pensando sobre isso, lembro um dia em que um aluninho estava
muito triste em sala. Eu me abaixei e perguntei no ouvido dele: “- O que aconteceu
com você, meu lindo?” e ele, com os olhinhos cheios de lágrimas me respondeu: “-
Meu gatinho morreu...” Sabe, aqueles dias em que você também sente vontade
chorar ao ouvir esse tipo de palavra vinda de uma criança?
Então, faz-se oportuno voltar a falar sobre os “monstrinhos”
que vivem dentro de nossas crianças. É muito comum os adultos dizerem que crianças
não pensam em nada, não têm preocupações, etc. Isso não é verdade. Crianças também
têm suas preocupações, suas ansiedades e seus temores. Crianças também sentem
muito do que nós, adultos, sentimos. A questão importante é quando essas preocupações
são do universo adulto e invadem o mundo da criança. Isso pode ser um grande
perigo para os nossos pequeninos. A criança tem o seu tempo de maturidade
emocional e cognitiva; se esse tempo for antecipado poderá trazer prejuízos emocionais
severos. Lembro de uma vez em que tive um problema de saúde e, na época, minha
filha tinha nove anos e vivenciou minha angústia com a enfermidade. Isso trouxe
muita instabilidade emocional para ela e sérias crises de ansiedade que só
percebi muito tempo depois. Aprendi o quanto precisamos ter filtro ao lidar
com nossos pequeninos.
Assim, mesmo que seja difícil, vale lembrar que precisamos tentar poupar as crianças de experimentar situações de conflitos do mundo adulto. Elas
não sabem como lidar com isso e podem sofrer demais, porque desejam ajudar na
solução, mas não conseguem. Criança tem o seu tempo. E todo tempo passa rápido demais.
Elas devem aproveitar o quanto podem o tempo de brincar, de sorrir, de cair, de
ralar o joelho, de estudar e de ser criança mesmo. O tempo de adulto vai
chegar, certamente, mas ela terá em si as lembranças boas da infância.


