13 de set. de 2017

OS SENTIMENTOS DA CRIANÇA

Li para minha turma, recentemente, o livro Tenho Monstros na Barriga, que aborda a história de um menino que pensa ter vários monstrinhos em sua barriga. Na verdade, os monstrinhos eram vários sentimentos que a criança vivenciara.
Pensando sobre isso, lembro um dia em que um aluninho estava muito triste em sala. Eu me abaixei e perguntei no ouvido dele: “- O que aconteceu com você, meu lindo?” e ele, com os olhinhos cheios de lágrimas me respondeu: “- Meu gatinho morreu...” Sabe, aqueles dias em que você também sente vontade chorar ao ouvir esse tipo de palavra vinda de uma criança?
Então, faz-se oportuno voltar a falar sobre os “monstrinhos” que vivem dentro de nossas crianças. É muito comum os adultos dizerem que crianças não pensam em nada, não têm preocupações, etc. Isso não é verdade. Crianças também têm suas preocupações, suas ansiedades e seus temores. Crianças também sentem muito do que nós, adultos, sentimos. A questão importante é quando essas preocupações são do universo adulto e invadem o mundo da criança. Isso pode ser um grande perigo para os nossos pequeninos. A criança tem o seu tempo de maturidade emocional e cognitiva; se esse tempo for antecipado poderá trazer prejuízos emocionais severos. Lembro de uma vez em que tive um problema de saúde e, na época, minha filha tinha nove anos e vivenciou minha angústia com a enfermidade. Isso trouxe muita instabilidade emocional para ela e sérias crises de ansiedade que só percebi muito tempo depois. Aprendi o quanto precisamos ter filtro ao lidar com nossos pequeninos. 
Assim, mesmo que seja difícil, vale lembrar que precisamos tentar poupar as crianças de experimentar situações de conflitos do mundo adulto. Elas não sabem como lidar com isso e podem sofrer demais, porque desejam ajudar na solução, mas não conseguem. Criança tem o seu tempo. E todo tempo passa rápido demais. Elas devem aproveitar o quanto podem o tempo de brincar, de sorrir, de cair, de ralar o joelho, de estudar e de ser criança mesmo. O tempo de adulto vai chegar, certamente, mas ela terá em si as lembranças boas da infância.

9 de abr. de 2016

CRIANÇAS SOLITÁRIAS DENTRO DE CASA

Há um texto que me faz pensar em nossas crianças no contexto atual, em pleno século da tecnologia. A bíblia conta a história de uma mulher que perdeu uma moeda dentro de sua própria casa. Apesar de ainda ter outras nove moedas, a perda de uma mexeu com toda a situação.
Assim que percebeu a perda, essa mulher tomou algumas medidas para reaver a sua moedinha: acendeu uma luz sobre o local, limpou a casa e procurou cuidadosamente até encontra-la. E encontrou...
Trazendo essa lição para o nosso contexto, vejo muitas perdas dentro dos próprios lares. São perdas de relacionamento, de oportunidades de diálogo, de contato dos pais com os filhos no dia a dia. E tudo isso dentro de casa.
Com todos esses avanços tecnológicos, cada vez mais pais e filhos se distanciam. Há muitos contatos virtuais, muitas carinhas de emoção e agrados, mas poucos afetos físicos. Muita correria diariamente e poucos momentos a sós com as crianças.
Na história narrada, a mulher percebe a perda ocorrida dentro de seu próprio lar, mas não desiste até recuperar o seu bem precioso. Semelhantemente, podemos atentar às nossas perdas emocionais em relação aos nossos filhos. Precisamos iluminar o nosso relacionamento, limpar nosso coração dos ressentimentos e ansiedades e procurar, buscar cuidadosamente até refazermos os laços afetivos.
Filhos são os nossos bens, mas, muitas  vezes, na correria diária, nós os perdemos dentro de nossas próprias casas. Mas, eles estão lá, talvez em algum cantinho, mas estão lá. Vamos em busca deles. Vamos levar luz sobre a sua vida, limpar o seu coração, às vezes, ferido e viver momentos de alegria pelo reencontro.
Não deixemos passar nenhuma fase da vida deles em branco. Vamos acompanhar de perto e viver junto suas alegrias e tristezas. A presença dos pais é tudo o que conta!

6 de abr. de 2016

O TOQUE QUE CUIDA DAS EMOÇÕES DAS NOSSAS CRIANÇAS



O toque que cuida das emoções das nossas crianças é terapêutico. O toque é saudável quando expressa um afeto verdadeiro na vida do ser humano.
Em se tratando de crianças, então, tem um efeito maravilhoso. Muitas crianças não são tocadas carinhosamente por seus cuidadores. Muitos adultos não sabem como tocar carinhosamente as crianças.
Como educadora, percebo essa importância na vida da criança. Elas se sentem amadas quando recebem um abraço, um beijo carinhoso ou mesmo um olhar com sorriso. As crianças se sentem queridas e aceitas nesse contexto.
Na vida tão corrida dos nossos dias, pouco tempo é separado para se estar carinhosamente com as crianças. Os pais chegam tão cansados dos afazeres diários que quase não conseguem mais sentar com seus filhos e passar alguns momentos com eles, dialogando, brincando ou tocando-os com afeto. Muitas palavras teriam mais efeito se fossem mescladas com toques afetuosos. 
Quando levar seu filho para a escola, despeça-o com um abraço carinhoso. Isso dá a criança segurança para permanecer no ambiente escolar tranquilo. Da mesma forma, quando a criança sair da escola, receba-a com outro abraço. Isso fará com que ela perceba que a sua falta foi sentida. Tudo isso traz segurança para as crianças. 
O toque que expressa carinho é curador para muitas enfermidades da alma, para as emoções e até para o físico. 
Passar tempo com as nossas crianças é investir em toda a vida delas!

20 de fev. de 2016

O QUE APRENDO COM AS CRIANÇAS



Início de aula é normal para os professores, mas para as crianças é um mundo de expectativas e ansiedade.
Num desses dias de início do ano letivo, fiquei observando algumas atitudes das crianças pequenas. Elas chegam ao espaço escolar com os olhinhos brilhando e ainda inseguras pelo novo. O novo sempre assusta mesmo. Mas, ao entrar na sala de aula começam as relações interpessoais repletas de encanto e aprendizagem. É interessante observar como essas pessoinhas têm tanto a nos ensinar.
Aos poucos, as atitudes reticentes vão dando lugar à amizade. Assim, sem preconceitos ou desconfianças. As crianças se aproximam, interagem e acontece a troca afetuosa entre elas. Muito diferente de nós, adultos, que somos  cheios de cuidados e evitamos desenvolver relacionamentos de amizade com novos grupos. As crianças são desarmadas e ousadas, por isso, expressam mais felicidade nos contatos afetuosos. Elas são mesmo diferentes de nós. Felizmente...
E eu, como professora, aprendo a ser mais sensível e mais profissional, tendo um olhar diferente sobre a nossa humanidade. Quero ser como as crianças. Desarmada e ousada, sem medo de amar o próximo. Quero aprender a brincar e a falar sem receio de ser tolhida. E a expressar esse afeto pelo amigo que acabei de encontrar. Quero continuar a aprender a vida toda, com as crianças. Na verdade, acho que eu sou a aluna nesse universo da sala de aula.