17 de mar. de 2011

TEMPO DE DERRUBAR E TEMPO DE EDIFICAR...

O tempo é algo que passa muito rápido em nossa vida. Para muitos, porém, o tempo não passa nas lembranças e dores sofridas.

A estatística na cidade do Rio de Janeiro apontou um número maior nos casos de violência contra a criança. Na verdade, não se sabe ao certo se a violência aumentou ou se as denúncias aumentaram. O fato é que nossas crianças estão sendo alvo das mais horrendas torturas dentro de suas famílias.

A violência intrafamiliar é por demais dolorosa. Ela produz um tempo estagnado de derrubar e de prantear. Estagnado, porque para quem sofre esse tipo de violência parece que a vida parou, que nada vai mudar e que o normal é ser vitimizado. Ironia essa, o normal é o que é anormal.

Crianças vitimizadas pelos seus cuidadores são casos antigos na história. Crianças sempre tiveram suas necessidades básicas suprimidas em muitos lares. Ainda hoje, em todas as classes sociais, em várias idades, de várias localidades do mundo, nossas crianças continuam sendo punidas, com a máscara de serem corrigidas.

Quando falamos que há tempo para todas as coisas, parafraseando o texto sagrado, é porque quem sofre dificilmente vislumbra o tempo de sorrir, o tempo de se alegrar. Mas esse tempo existe, embora muitas vezes pareça distante.

Felizmente, há crianças com tempo de sorrir, de brincar, de se alegrar, de correr, de ouvir estórias, de se alimentar e de serem amadas. Felizmente elas existem. Mas aquelas que vivem à margem, sofrendo, apanhando, sendo torturadas, sendo adultas antes da hora, sendo mães quando ainda deveriam ser crianças... Quem clamará por elas? Quem se levantará sendo seus porta-vozes?

O tempo de se alegrar e de edificar pode estar sendo acelerado pelas nossas ações. Embora o homem não conheça o seu tempo determinado na Terra, contudo, suas ações podem fazer deste tempo bom ou mau, alegre ou triste.

O nosso desafio diário é construir um novo tempo para que nossas crianças tenham infância. A proposta é para que sejamos agentes do bem nessa construção de tempo.

Há, pois, tempo de curar, de ajuntar, de guardar, de amar e tempo de paz... Proporcionemos a elas esse tempo, são merecedoras.

Vania Vianna

Dados do disque 100 – O número de denúncias registrado nos períodos do carnaval aumentou nos últimos cinco anos. Com a campanha, a presença do serviço também aumentou de maneira significativa. Enquanto em 2006 o serviço registrava denúncias de 882 municípios, em 2010 foram registradas ligações de 4.886 cidades brasileiras. Entre maio de 2003 e dezembro de 2010 o Disque já realizou um total de 2.556.775 atendimentos e encaminhou 145.066 denúncias de todo o País, atendendo a 89% dos municípios brasileiros. - Fonte: http://www.secom.gov.br


2 de mar. de 2011

A INFÂNCIA ESTÁ VIRANDO UMA COISA

Hoje mais uma notícia triste é divulgada: a confirmação da morte de uma menina, no Rio de Janeiro. Mais uma vítima da violência infantil, dentre tantas.

Não há sentimento que expresse o horror que cerca nossas crianças. Cada vez mais aumenta a dor de ver os pequeninos, dos quais Jesus falou que deles é o reino dos céus, sendo vítimas de tanto descaso.

Em Provérbios 31:8, 9 há um conselho da mãe do rei Lemuel, que Deus permitiu constar na bíblia, para que alguém clamasse em favor do mudo: “Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados.Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados.”

Nossas crianças se enquadram neste grupo, dos que não têm voz, dos desamparados e necessitados. A pergunta é: - até quando, nós, não nos posicionaremos de uma maneira responsável para abrirmos nossa boca em favor delas? Até quando o silêncio desses inocentes será mantido por omissão daqueles que têm o dever e o papel de lhes serem por porta-vozes?

A recomendação da Palavra é abrir a boca. Isso, algumas vezes, é entendido apenas como reclamar das circunstâncias e acusar esse ou aquele órgão de não cumprir seu papel na sociedade. Mas vai além desse pensamento: é abrir a boca no sentido de interceder e denunciar os maus-tratos de que nossas crianças são vítimas diariamente. Muitas vezes há conhecimento desses maus-tratos, mas a visão que ainda se tem é que as crianças são propriedades de seus responsáveis, ou seja, são meros objetos que não têm voz própria e, portanto, podem ser tratadas como coisas. A infância está virando uma coisa!

Abrir a boca em favor da criança vitimizada é não ser conivente com espancamentos, abusos e todo o tipo de abandono que presenciamos em nossa cidade. Se a dor dessas crianças não doer em nós, que tipo de cristãos nos tornamos, então?

Quantas ainda vão morrer, quantas ainda continuarão a ser abusadas sexualmente, quantas ainda serão inseridas na criminalidade? E que geração nos sucederá???

Hoje é o dia de abrir a boca em favor do necessitado, cumprindo assim a orientação da Palavra. É o dia de sairmos do bem-estar confortável (redundante mesmo) e nos lançarmos à pequena seara de meninos e meninas, pois clamam por serem tratados com zelo e amor.

A minha esperança é que esteja doendo em nós, intensamente, a dor de cada um desses pequeninos, pelos quais Jesus morreu.

Vania Vianna