12 de mai. de 2014

E A VOZ DA CRIANÇA FOI OUVIDA...

“Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o seu ombro; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu, andando errante no deserto de Berseba. E consumida a água do odre, lançou o menino debaixo de uma das árvores. E foi assentar-se em frente, afastando-se à distância de um tiro de arco; porque dizia: Que eu não veja morrer o menino. E assentou-se em frente, e levantou a sua voz, e chorou. E ouviu Deus a voz do menino, e bradou o anjo de Deus a Agar desde os céus, e disse-lhe: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus ouviu a voz do menino desde o lugar onde está.” - Gênesis 21:14-17
Várias vezes li esse texto, sob o ponto de vista de Agar, a mãe que sofre ao ver seu filho prestes a morrer. Porém, em uma lida sob outro aspecto, um fato importante se mostra nessa história: mãe e filho choraram, mas o texto nos diz que o Senhor ouviu a voz do menino.
Nessa semana, onde lembramos com mais ênfase do combate à exploração ao abuso sexual contra crianças e adolescentes, fico pensando nas muitas vozes de choro que têm chegado aos ouvidos do Senhor. Todas as noites muitas crianças  gritam, mesmo em silêncio (paradoxo???) clamando por ajuda, por alguém que as livre da opressão da violência em várias modalidades. Nós, adultos, nem sempre conseguimos perceber esse clamor. E simplesmente caminhamos em nosso percurso, sem nos dar conta do que acontece, muitas vezes próximo a nós.
Mas a voz do menino chegou aos ouvidos do Senhor... Fato semelhante aconteceu no Egito, quando o clamor dos filhos de Deus chegou aos Seus ouvidos, e Ele levantou Moisés como instrumento de libertação àqueles cativos.
Em nossos dias há muitas vozes gritando por ajuda. Há muitas crianças e adolescentes que são vitimizados por quem deveria cuidar deles. E continuam clamando...  Atualmente, na Nigéria, muitas meninas, talvez da idade de nossas filhas, passam a noite em pranto, longe de suas mães, à espera de alguém que as liberte do cativeiro.
A certeza que temos é que Deus ouviu e ainda ouve a voz do menino. Cabe e mim e a você sermos sensíveis e nos apresentarmos com servos para sermos usados nesse combate. Cabe a cada um de nós intercedermos, denunciarmos a violência e proporcionar-lhes uma vida melhor, onde a infância deve ser feliz.