13 de nov. de 2010

PLASTICIDADE NEURONAL E A AÇÃO DE DEUS

Estudando sobre Educação Especial recentemente, conheci uma matéria a respeito da capacidade de reconstrução do cérebro da criança. Chama-se plasticidade neuronal. Em outras palavras, é uma ação que ocorre quando uma criança sofre uma lesão no cérebro e as células sadias assumem as tarefas das células que foram destruídas. Assim, em alguns casos de acidente onde a criança perde o controle motor, fala ou movimentos em geral, existe a possibilidade de volta ao estado anterior, considerando o processo celular acima. Lógico que exames e fisioterapias serão necessários. Mas, como não sou neurologista, não posso falar muito a respeito do lado clínico.
Detenho-me sobre a questão do corpo humano se refazer em certas situações e, por mais que seja fantástica a explicação científica, não posso deixar de perceber a grandeza do Criador ao formar o ser humano.
Existe ainda na psicologia uma expressão chamada resiliência. É um termo empregado para identificar a capacidade que o ser humano tem de se recompor após sofrer um trauma emocional muito grande. Vi isso muitas vezes acontecer com crianças que sofreram violência doméstica e, ao longo do tempo, através de tratamentos específicos, voltaram a ter uma vida normal, alegre e contínua. Uns chamam isso de superação.
Mas, em tudo isso, seja na reconstrução cerebral ou na emocional, vejo o quanto somos tratados por Deus. Nosso corpo e alma são preciosos para Ele e cuida de cada detalhe. As maravilhas que o nosso corpo revelam são frutos da Graça de Deus. Lembro-me do vaso e do oleiro, quando este é quebrado, os cacos não são jogados fora, mas em um processo artesanal, com as próprias mãos, ele refaz aquela peça com tamanha perfeição, que virá a ser útil para outras pessoas.
Assim somos nós. Passamos tantas lutas, em algumas delas nos sentimos esmagados, despedaçados e sem possibilidade de reconstrução, mas, muitas vezes, mesmo sem percebermos, vamos sendo trabalhados, tendo os pedacinhos reunidos e quando o tempo passa, lá estamos nós outra vez, prontinhos para viver.
Finalmente, o cérebro humano, as emoções e o espiritual, tudo pode ser refeito por Quem os criou. E isso é Graça. O conhecimento científico, médico e pastoral são meios pelos quais essa Graça é revelada. Nem todos veem, nem todos percebem e nem todos glorificam a Deus por isso, mas, a despeito da reação humana, Ele continua operando. Ele continua interessado em refazer o homem.
"Se ando em meio à tribulação, tu me refazes a vida;"
Salmo 138:7a

Vania Vianna

9 de nov. de 2010

QUANDO ENTRAMOS NA CAVERNA

Davi fugiu da cidade de Gate e foi para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e a família de seu pai souberam disso, foram até lá para encontrá-lo. Também juntaram-se a ele todos os que estavam em dificuldades, os endividados e os descontentes; e ele se tornou o líder deles. Havia cerca de quatrocentos homens com ele. De lá Davi foi para Mispá, em Moabe, e disse ao rei de Moabe: "Posso deixar meu pai e minha mãe virem para cá e ficarem contigo até que eu saiba o que Deus fará comigo? " E assim ele os deixou com o rei de Moabe, e lá eles ficaram enquanto Davi permaneceu na fortaleza. Contudo, o profeta Gade disse a Davi: "Não fique na fortaleza. Vá para Judá". Então Davi foi para a floresta de Herete. I Samuel 22: 1-5.

Essa passagem traz para mim uma mensagem de profunda reflexão. É verdade que todos nós, vez por outra, nos escondemos numa caverna de Adulão. É fato que vivemos diversas experiências em nossa jornada e muitas vezes o se esconder é um recurso necessário para refazer as forças, repensar atitudes, etc.

Em meu caminhar lidando com algumas situações de dor, já me escondi algumas vezes na “caverna”. Na verdade, a dor do próximo é, por vezes, tão intensa que se torna a nossa dor e como somos limitados, não conseguimos sequer agir como gostaríamos.

A caverna de Adulão nos reporta ao nosso limite humano. Lidar com a nossa humanidade não é fácil porque às vezes achamos que somos um pouco de mulher-maravilha, que suportamos tudo e vamos prosseguindo sem parar. Ledo engano. Muitas vezes é preciso parar mesmo, é preciso se refazer, se proteger e se permitir descansar. Sentir medo não é vergonha nem sinônimo de fraqueza, como talvez alguns pensem. Sentir medo é a nossa humanidade latejando, gritando que ela existe e é natural.

Vivi, recentemente, uma experiência que me mostrou isso claramente. Descobri-me portadora de uma doença autoimune chamada alopécia areata, uma queda de cabelos intensa localizada, decorrente de um nível alto de estresse. Não é uma queda de cabelos que vemos quando nos penteamos, como de costume, é algo bem maior do que isso. Fiquei careca em alguns pontos e foi por demais chocante. Aí começou uma série de questionamentos e por quês, pois eu estava em plena atividade profissional, estudantil e ministerial. Como entender isso? Como assimilar o fato de ter que parar? Refugiei-me na “caverna”. Parei. Senti o que estava acontecendo. Chorei.

Mas nesse período algo precioso aconteceu. Percebi muitas pessoas que haviam passado essa experiência, já haviam saído de suas cavernas emocionais e estavam de volta à atividade. Eu me enriqueci com elas. Aprendi com suas experiências e, melhor, tenho aprendido com a minha própria experiência.

De sorte que a tal caverna é um lugar de refúgio, aonde vamos sendo tratados de diversos males. É um lugar necessário, creio, para olharmos o mundo por outro prisma . Davi, no texto acima, recebeu instruções para sair da caverna de Adulão. Lá era um lugar seguro, mas fora dela havia todo um povo para o qual ele seria bênção, ele seria orientador. Ainda que passemos um tempo assim com o rei Davi, e encontremos outras pessoas também nesse local de refúgio, há um universo nos aguardando, há vidas clamando por nós, esperando nossas atitudes. Sim, há vidas que poderemos ajudar.

Nada de errado em nos esconder por um tempo, mas não por todo o tempo. Sejamos fortalecidos e prossigamos!...

Vania Vianna