22 de set. de 2014

LIÇÕES DA FORMIGUINHA

Semana passada contei uma  história para meus aluninhos de três anos sobre a formiga. Se há uma coisa que gosto muito de fazer é contar histórias. Faço das crianças personagens e, assim, elas conseguem mergulhar no contexto e assimilar melhor o conteúdo.
Após a história, fomos brincar de procurar formigueiros no quintal da escola. Que coisa legal ver as crianças descobrindo como e onde as formiguinhas moram. Foi uma diversão só!...
Dentre algumas lições, pudemos compartilhar preciosidades da vida:
1º-  As formiguinhas estavam na mesma casinha mesmo sendo diferentes. As crianças perceberam que havia diferentes tamanhos e até algumas cores, mas que em determinada hora, elas entravam no mesmo buraquinho feito. Que precioso isso para a nossa turma! Mesmo tendo crianças com características diferentes (cor, família, jeito de se vestir...), todas habitam o mesmo espaço escolar e desfrutam das mesmas condições em sala. Vão aprendendo a brincar juntas e a compartilhar suas diferenças para o crescimento mútuo.
2 º - As formiguinhas se ajudam. Uma cena interessante foi vista pelas crianças: uma formiguinha carregando a outra. Isso foi maravilhoso para ensinar-lhes uma lição de solidariedade, de cuidados com o próximo. Especularam o motivo: “- A formiga está doente, tia?” – “Alguém deve ter pisado nela, coitada!”... Que oportunidade rica para nós, como educadores, somarmos na formação do caráter da criança! Elas entenderam a importância de ajudarem o coleguinha, de dar-lhes a mão quando caem. Rico demais isso!!!
3º-  As formiguinhas repetem seus atos. No dia seguinte todos quiseram voltar aos formigueiros. Agora já sabem onde se localizam e por onde elas caminham. Assim também é a vida das crianças na escola. Os atos de bondade aprendidos precisam ser repetidos, não podem ser isolados. Na escola, em casa, no brincar e em tudo o que fazem... Mesmo que nem sempre sejam reconhecidas, as atitudes de amor devem fazer parte da vida da criança.
Enfim, como educadora, acho que aprendi mais do que os alunos. E como pais, ainda temos que crescer olhando para as atitudes dos nossos filhos. Ao mesmo tempo em que somos o espelho deles, também precisamos nos espelhar na pureza e no agir da criança.

Que lição! E as formigas nem imaginam como nos ensinam!!!

4 de set. de 2014

INCLUSÃO DA CRIANÇA FERIDA

Tem-se falado muito em inclusão. Vivemos um tempo em que crianças, antes vistas como “diferentes”, podem conviver perfeitamente  com as demais nas escolas em uma classe regular. Esse avanço foi lento e ainda tem uma longa caminhada pela frente, até que percebamos que a inclusão é um processo que envolve toda a sociedade e não somente a criança em questão.
Pensando nisso e associando à questão da violência contra crianças, seria importante refletirmos também quanto à inclusão das que sofrem diariamente todo tipo de maus-tratos, vivenciado, muitas vezes, dentro de suas próprias casas. É no ambiente escolar que isso vai ser refletido. Crianças ainda tão pequenas e vitimizadas poderão exteriorizar seus conflitos dentro da sala de aula, através das mais variadas ações.
Não é raro olharmos para essa criança com cansaço e desesperança. A ótica de que ela pertence a sua família, muitas vezes disfuncional, ainda existe. E quando pensamos na criança como um objeto que pertence a tal família, corremos o risco de não vê-la como alguém que precisa de ajuda.
Um olhar diferenciado pode mudar essa situação. Não poucas vezes, esse pequenino vai sinalizar um pedido de ajuda ao seu professor. Como enxergar isso? E como se envolver sem se expor tanto? Acredito que seria preciso fortalecer os educadores, capacitando-os para uma intervenção de socorro à criança ferida em sua alma, mente e, não muito raro, em seu corpo.
A escola tem que ensinar. A família, educar. Porém, o ser humano tem que se sensibilizar e agir em favor dos pequeninos. O cuidado com a infância não tem um dono. Não é tarefa exclusiva da família, da escola ou do governo;  é de todos.
É tempo de repensarmos nosso papel nesse mundo e como estamos influenciando essa geração. Que legado deixaremos aos nossos pequeninos???