4 de set. de 2014

INCLUSÃO DA CRIANÇA FERIDA

Tem-se falado muito em inclusão. Vivemos um tempo em que crianças, antes vistas como “diferentes”, podem conviver perfeitamente  com as demais nas escolas em uma classe regular. Esse avanço foi lento e ainda tem uma longa caminhada pela frente, até que percebamos que a inclusão é um processo que envolve toda a sociedade e não somente a criança em questão.
Pensando nisso e associando à questão da violência contra crianças, seria importante refletirmos também quanto à inclusão das que sofrem diariamente todo tipo de maus-tratos, vivenciado, muitas vezes, dentro de suas próprias casas. É no ambiente escolar que isso vai ser refletido. Crianças ainda tão pequenas e vitimizadas poderão exteriorizar seus conflitos dentro da sala de aula, através das mais variadas ações.
Não é raro olharmos para essa criança com cansaço e desesperança. A ótica de que ela pertence a sua família, muitas vezes disfuncional, ainda existe. E quando pensamos na criança como um objeto que pertence a tal família, corremos o risco de não vê-la como alguém que precisa de ajuda.
Um olhar diferenciado pode mudar essa situação. Não poucas vezes, esse pequenino vai sinalizar um pedido de ajuda ao seu professor. Como enxergar isso? E como se envolver sem se expor tanto? Acredito que seria preciso fortalecer os educadores, capacitando-os para uma intervenção de socorro à criança ferida em sua alma, mente e, não muito raro, em seu corpo.
A escola tem que ensinar. A família, educar. Porém, o ser humano tem que se sensibilizar e agir em favor dos pequeninos. O cuidado com a infância não tem um dono. Não é tarefa exclusiva da família, da escola ou do governo;  é de todos.
É tempo de repensarmos nosso papel nesse mundo e como estamos influenciando essa geração. Que legado deixaremos aos nossos pequeninos???

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