Tem-se falado muito em inclusão. Vivemos um tempo em que crianças,
antes vistas como “diferentes”, podem conviver perfeitamente com as demais nas escolas em uma classe
regular. Esse avanço foi lento e ainda tem uma longa caminhada pela frente, até
que percebamos que a inclusão é um processo que envolve toda a sociedade e não
somente a criança em questão.
Pensando nisso e associando à questão da violência contra
crianças, seria importante refletirmos também quanto à inclusão das que sofrem
diariamente todo tipo de maus-tratos, vivenciado, muitas vezes, dentro de suas
próprias casas. É no ambiente escolar que isso vai ser refletido. Crianças ainda
tão pequenas e vitimizadas poderão exteriorizar seus conflitos dentro da sala
de aula, através das mais variadas ações.
Não é raro olharmos para essa criança com cansaço e
desesperança. A ótica de que ela pertence a sua família, muitas vezes
disfuncional, ainda existe. E quando pensamos na criança como um objeto que pertence
a tal família, corremos o risco de não vê-la como alguém que precisa de ajuda.
Um olhar diferenciado pode mudar essa situação. Não poucas
vezes, esse pequenino vai sinalizar um pedido de ajuda ao seu professor. Como enxergar
isso? E como se envolver sem se expor tanto? Acredito que seria preciso
fortalecer os educadores, capacitando-os para uma intervenção de socorro à
criança ferida em sua alma, mente e, não muito raro, em seu corpo.
A escola tem que ensinar. A família, educar. Porém, o ser
humano tem que se sensibilizar e agir em favor dos pequeninos. O cuidado com a
infância não tem um dono. Não é tarefa exclusiva da família, da escola ou do
governo; é de todos.
É tempo de repensarmos nosso papel nesse mundo e como
estamos influenciando essa geração. Que legado deixaremos aos nossos pequeninos???

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