2 de jul. de 2014

EXCLUSÃO SEM DIREITO DE DEFESA

Conheci uma pessoa que foi esquecida da vida de outra.
Sua história de abandono foi tão dolorida que a memória engavetou aquela dor. Mas não apagou.
Conversamos por um tempo e o lamento  foi: “Não pude sequer ser ouvida. Não soube o que fiz. Não tive o direito de apresentar minha defesa”.
Isso me fez pensar sobre  tantas pessoas, crianças, jovens ou velhos, que trazem dentro si uma lembrança que não foi apagada, porque simplesmente seu processo de exclusão foi unilateral, sendo-lhes negado o direito de se defenderem, talvez, daquilo que nunca souberam ser o motivo de sua exclusão.
Lembro-me de muitos assim. Lembro-me da criança, cuja voz nunca foi ouvida e que seu choro jamais foi escutado, diante do abandono. Lembro-me da mulher  e da dor do abandono que lhe foi imputada, sem que pudesse falar de como se sentia. Lembro-me do homem cuja dignidade foi negada quando desejava ser visto como cidadão. Também me lembro do idoso cuja vida foi inteiramente dedicada ao trabalho e na sua velhice seus direitos foram  furtados, causando-lhe frustração.
Enfim, muitos tiveram de se resignar diante das injustiças, do abandono, do silêncio e da negligência, porque seus algozes lhes negaram o direito de se defenderem.
Meu coração sentiu a dor daquela pessoa.Vi suas lágrimas quentes. Ela pôde defender-se diante  de mim, mesmo não sendo eu que lhe ferira. Simplesmente queria ter ouvida sua justificativa de algo que nunca soube que fizera. Bastava ser ouvida...



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