10 de jun. de 2015

OS IDOSOS NOSSOS DE CADA DIA

“ Lembre do seu Criador enquanto você ainda é jovem, antes que venham os dias maus e cheguem os anos em que você dirá: “Não tenho mais prazer na vida.”
Lembre dele antes que chegue o tempo em que você achará que a luz do sol, da lua e das estrelas perdeu o seu brilho e que as nuvens de chuva nunca vão embora.
Então os seus braços, que sempre o defenderam, começarão a tremer, e as suas pernas, que agora são fortes, ficarão fracas. Os seus dentes cairão, e sobrarão tão poucos, que você não conseguirá mastigar a sua comida. A sua vista ficará tão fraca, que você não poderá mais ver as coisas claramente.
Você ficará surdo e não poderá ouvir o barulho da rua. Você quase não conseguirá ouvir o moinho moendo ou a música tocando. E levantará cedo, quando os passarinhos começam a cantar.
Então você terá medo de lugares altos, e até caminhar será perigoso. Os seus cabelos ficarão brancos, e você perderá o gosto pelas coisas. Nós estaremos caminhando para o nosso último descanso; e, quando isso acontecer, haverá gente chorando por nossa causa nas ruas.
A vida vai se acabar como uma lamparina de ouro cai e quebra, quando a sua corrente de prata se arrebenta, ou como um pote de barro se despedaça quando a corda do poço se parte.
Então o nosso corpo voltará para o pó da terra, de onde veio, e o nosso espírito voltará para Deus, que o deu.” (Eclesiastes 12:1-7)

Esse texto me emociona bastante. Penso na vida de pessoas queridas que já viveram tantos anos... E penso na vida de tantos ainda jovens.
Somos desafiados a lembrar do Senhor enquanto ainda somos jovens, porque virão dias em que não mais seremos independentes, dias em que nossa audição começará a falhar e em que toda a rotina de vida mudará.  Somos desafiados a pensar nos idosos, em nossos próprios pais. Haverá dias em que os papéis de inverterão e eles passarão ser nossos filhos. Teremos de levá-los ao médico e em nossa cabeça voltaremos à cena em que íamos ao pediatra para sermos examinados. Lembraremos do nosso próprio choro quando tomávamos aquela vacina que tanto doía. Também das vezes em que pedíamos que nos pagassem lanches na rua e não compreendíamos quando eles diziam que não tinham dinheiro. Sim, lembraremos de tantos momentos...
Então, agora nos tornamos os pais deles. Nós os levamos não ao pediatra, mas ao geriatra. E nosso coração ficará apertado esperando o diagnóstico, como eles ficavam quando éramos crianças. Talvez tenhamos que falar mais alto perto deles e repetir e repetir e repetir para que compreendam. E não podemos esquecer também de levá-los para passear e segurar-lhes as mãos quando estiverem na escada rolante ou ajudar-lhes a descer do ônibus. Sim, atuaremos em tantos momentos...
O escritor, inspirado por Deus, anteviu essa cena e descreveu-a nas palavras bíblicas. Precisamos nos lembrar do Senhor e quando nos lembrarmos do Senhor não vamos esquecer os nossos pais, os nossos velhinhos. Em um tempo de tanto abandono, de tanta correria, enquanto ainda temos agilidade, lembrar dos idosos envolve  nos comprometermos com eles. Amá-los. Cuidá-los. Honrá-los!

6 de jun. de 2015

COMO SOMOS CONHECIDOS?

Há um tempo atrás, meu marido, muito espirituoso, comprou um sorvete. Por ser de uma marca desconhecida, para que ninguém reclamasse de antemão, ele simplesmente tirou o rótulo. Uma cena inusitada:  todos saboreando o tal sorvete sem saber a marca. Somente ao final foi revelado o nome do dito cujo. A situação engraçada  fez-me pensar no quanto a embalagem influencia em nossas escolhas.
Não é diferente quando se trata de pessoas. Busca-se ser conhecido pelo que se apresenta, pelo estereótipo, muitas vezes, colocado acima do conteúdo.  Pensando sobre essas coisas do  nosso cotidiano, lembro da ocasião em que Jesus disse aos seus discípulos que eles seriam conhecidos como tais pelo amor que teriam uns pelos outros (João 13:34,35). Isso foi dito após uma situação em que o Mestre lavara-lhes  os pés.  Os discípulos seriam enviados ao mundo, teriam muito trabalho a fazer, novos desafios e estariam presentes em vários lugares, em diversas circunstâncias. Como seriam identificados? Até porque em um contexto de perseguição religiosa, algo certamente os identificaria.
Percebemos que naquela sociedade os rótulos já eram presentes. Certa vez se referiram a Jesus com o filho do carpinteiro (“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs?  E ficavam escandalizados por causa dele.” - Marcos 6:3). Outra vez, sobre alguns apóstolos como iletrados... (“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com Jesus.” -  Atos 4:13). De fato, sempre se espera das pessoas que tenham algo visível que chamem a atenção, algum tipo de rótulo bonito.
O ser humano não mudou. Ainda precisa de embalagens bonitas para ser aceito em alguns lugares. Pouco se conhece do interior das pessoas, mas do seu exterior, do visível, já se deduz o conteúdo. Erramos muitas vezes.  Mas, Jesus disse que o amor deveria ser o cartão de visitas do cristão. O amor pelo próximo é algo intrínseco e transcende o estereótipo que temos para considerar alguém como aceito. Não se faz, aqui, uma apologia ao feio e esquisito, mas uma chamada à consciência para se pensar em como temos sido conhecidos, enquanto cristãos. Jesus disse que seríamos conhecidos como discípulos dele se tivéssemos amos uns pelos outros. Pelo amor é que as pessoas nos identificarão, se estivemos ou não com Jesus. Isso é o que não pode ser esquecido.