22 de fev. de 2011

ORIENTE MÉDIO. QUE TENHO EU COM ISSO?


Enquanto esses comandantes loucos ficam por aí
queimando pestanas organizando suas batalhas
Os guerrilheiros nas alcovas preparando na surdina suas mortalhas
A cada conflito mais escombros
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça
dando milho aos pombos (Zé Geraldo)

O Oriente Médio vive dias de horrores. As imagens que nos chegam trazem dor e nos dão a sensação de impotência diante das atrocidades. Homens lutando, inocentes morrendo, poderosos matando. E tudo em nome de uma democracia.

A letra da música acima sempre me incomodou porque nos confronta com os fatos atuais e revela nossa postura diante de várias situações.

A dor do próximo, por ele, algumas vezes, residir tão distante, parece passar longe. Não vemos suas lágrimas, não ouvimos seu choro nem sentimos sua dor.

Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos...

Não adianta fechar os olhos, os fatos continuam a acontecer. Não adianta tapar os ouvidos, os gritos ecoarão por muito tempo ainda e não adianta se distrair, a dor será constante.

Um vídeo da luta no Egito chocou-me. A força bélica da Líbia assusta. Mas o clamor do povo é maior que tudo. Clamam por liberdade.

Faz-me lembrar de um povo que viveu no Egito há muitos anos, oprimido, escravizado, sem cidadania ou respeito. Esse povo clamou e o seu clamor chegou às alturas. Um homem foi levantado para ser instrumento de liberdade, para ser a voz dos aflitos.

Mas, voltando... isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos.

Milhares de crianças estão órfãs nesta guerra. Muitas perderam seus pais e, quando não, estão traumatizadas pelos horrores que vivem. Muitos pais estão protegendo seus filhinhos como podem. Eles se expõem para protegê-los.

Mas, isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos...

Do outro lado, um grupo se ilude querendo ficar rico comprando ou vendendo as bênçãos de Deus (como se pudesse...). Ainda, um outro grupo entra numa casa e monitora a vida de participantes, coadunando com suas exposições sensuais e ilusórias. Outro, se entorpece para fugir da realidade dura e miserável. Enquanto um outro, gasta seu tempo pensando em como enriquecer-se mais ainda...

E há os que continuam na praça dando milho aos pombos.

O desafio está diante dos nossos olhos. Não precisamos ir ao Oriente Médio para sabermos o que está acontecendo. Não é preciso vê-los chorar fisicamente nem ouvi-los gritar audivelmente. Isso se vê e se sente com a alma.

Enquanto tudo isso acontece, não podemos ficar na praça dando milhos aos pombos. Precisamos dar pão aos famintos e água aos sedentos. Apresentar-lhes a verdadeira fonte de toda bondade e graça.

“Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Isaias 55:1)

Vania Vianna

O FILHO NOSSO DE TODOS OS DIAS


Uma amiga minha, muito querida, perdeu o seu filho na semana passada. Foi uma dor, creio, imensurável: a dor de mãe.

O fato fez-me refletir em vários pontos. Fez-me refletir sobre relacionamento entre pais e filhos. E minha amiga amou o seu filho até o fim... Chorei por ela...

Nesses momentos, a gente que é mãe também pensa em muitas coisas, mas o importante é extrair lições preciosas, mesmo em meio à dor.

Meu filho costuma perguntar várias vezes ao dia: - "Mãe, você me ama? Mãe, me dá um beijo?" E é assim que ele é. Apesar de já adolescente, não perdeu seu jeito de criança. Mas esse hábito, que muitas vezes pode parecer engraçado, é muito precioso para mim.

Pais e filhos vivem hoje numa verdadeira maratona em busca de tempo. E o tempo parece ser todo fracionado: escola, afazeres, televisão, internet, etc. O tempo do relacionamento interpessoal, algumas vezes, fica em segundo plano, ou, na sobra do tempo.

Somos ensinados por Deus que há tempo para todas as coisas (Eclesiastes 3). A lição preciosa está em saber reter o tempo de abraçar, de sorrir, de paz, de curar, de juntar, de edificar, de rir... porque também haverá o tempo de se afastar, de chorar, de guerra, de espalhar, de destruir... Precisamos saber viver bem cada tempo que Deus nos dá.

Pais precisam lembrar que o tempo de ter os filhos pequenos vai passar, mas eles nunca deixarão seus papéis de pais e filhos. Então, saber curtir esse momento é necessário. É preciso não economizar afeto, atenção, ouvidos, palavras.

No processo educativo haverá o tempo de falar duro, de não sorrir, de manter-se firme na palavra, mas todo esse processo é preciso estar permeado de amor.

Hoje, minha amiga tem a lembrança viva de seu filho que se foi. Ninguém ocupará seu lugar. Filho é assim, nunca sai do coração da gente, mesmo estando distante!

Vania Vianna

GRATIDÃO À PROFESSORA DE MINHA FILHA...

E a gente vai caminhando para mais um final de ano letivo...

Quanta coisa legal pôde ser aprendida! Quanta troca!!!

Lembro dos momentos legais em que minha filha falou de você, do seu jeito descontraído e alegre, que contagiava as crianças. Das palavras de ânimo registradas nos cadernos e livros.

Penso que ser professor é construir relações saudáveis com os alunos.

Penso que ser professor é ir além do ensino das letras.

É caminhar junto, é partilhar momentos alegres e tristes que as crianças vivem.

Ser professor é ser um pouco de tudo, embora a profissão o restrinja a dar aulas (...)

Mas, além disso, é ter visão da infância. É saber que ser criança nem sempre é ter infância, como deveria.

Por isso, cabe a nós, professores por vocação (nem sempre por profissão, como é o meu caso), descobrir e penetrar nesse mundo da criança e partilhar sua vida, suas dúvidas, suas ansiedades...

E assim vai... ano após ano, crianças e mais crianças, todas passando por nós, deixando marcas e levando consigo muitas experiências; algumas, certamente, para toda a vida.

Agora, como mãe, quero agradecer o carinho dedicado a minha filha nesse ano. Percebi entre vocês uma relação agradável, além da escola, uma construção de ideias, e isso conta muito!

Obrigada pelo carinho, pelo cuidado, enfim, pelo ensino.

Não desista de ser educadora em sua vida. Muitas crianças precisam de educadores que sejam amigos, e amigo é o que fala a verdade, chama a atenção, orienta, corrige, sorri, ama, etc.

Desejo que você seja muito feliz. E ficará a lembrança na vida de Vívian, que agora, em uma nova etapa da vida escolar, certamente levará uma saudade gostosa do ano em que estudou com você.

Use sua profissão como ministério. É isso o que nos recompensa!!!

Com carinho,