
O Oriente Médio vive dias de horrores. As imagens que nos chegam trazem dor e nos dão a sensação de impotência diante das atrocidades. Homens lutando, inocentes morrendo, poderosos matando. E tudo em nome de uma democracia.
A letra da música acima sempre me incomodou porque nos confronta com os fatos atuais e revela nossa postura diante de várias situações.
A dor do próximo, por ele, algumas vezes, residir tão distante, parece passar longe. Não vemos suas lágrimas, não ouvimos seu choro nem sentimos sua dor.
Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos...
Não adianta fechar os olhos, os fatos continuam a acontecer. Não adianta tapar os ouvidos, os gritos ecoarão por muito tempo ainda e não adianta se distrair, a dor será constante.
Um vídeo da luta no Egito chocou-me. A força bélica da Líbia assusta. Mas o clamor do povo é maior que tudo. Clamam por liberdade.
Faz-me lembrar de um povo que viveu no Egito há muitos anos, oprimido, escravizado, sem cidadania ou respeito. Esse povo clamou e o seu clamor chegou às alturas. Um homem foi levantado para ser instrumento de liberdade, para ser a voz dos aflitos.
Mas, voltando... isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos.
Milhares de crianças estão órfãs nesta guerra. Muitas perderam seus pais e, quando não, estão traumatizadas pelos horrores que vivem. Muitos pais estão protegendo seus filhinhos como podem. Eles se expõem para protegê-los.
Mas, isso tudo acontecendo e eu aqui na praça dando milho aos pombos...
Do outro lado, um grupo se ilude querendo ficar rico comprando ou vendendo as bênçãos de Deus (como se pudesse...). Ainda, um outro grupo entra numa casa e monitora a vida de participantes, coadunando com suas exposições sensuais e ilusórias. Outro, se entorpece para fugir da realidade dura e miserável. Enquanto um outro, gasta seu tempo pensando em como enriquecer-se mais ainda...
E há os que continuam na praça dando milho aos pombos.
O desafio está diante dos nossos olhos. Não precisamos ir ao Oriente Médio para sabermos o que está acontecendo. Não é preciso vê-los chorar fisicamente nem ouvi-los gritar audivelmente. Isso se vê e se sente com a alma.
Enquanto tudo isso acontece, não podemos ficar na praça dando milhos aos pombos. Precisamos dar pão aos famintos e água aos sedentos. Apresentar-lhes a verdadeira fonte de toda bondade e graça.
“Ó vós, todos os que tendes sede, vinde às águas, e os que não tendes dinheiro, vinde, comprai, e comei; sim, vinde e comprai, sem dinheiro e sem preço, vinho e leite”. (Isaias 55:1)
Vania Vianna
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