Há um tempo atrás, meu marido, muito espirituoso, comprou um
sorvete. Por ser de uma marca desconhecida, para que ninguém reclamasse de antemão,
ele simplesmente tirou o rótulo. Uma cena inusitada: todos saboreando o tal sorvete sem saber a
marca. Somente ao final foi revelado o nome do dito cujo. A situação engraçada fez-me pensar no quanto a embalagem influencia
em nossas escolhas.
Não é diferente quando se trata de pessoas. Busca-se ser
conhecido pelo que se apresenta, pelo estereótipo, muitas vezes, colocado acima
do conteúdo. Pensando sobre essas coisas
do nosso cotidiano, lembro da ocasião em
que Jesus disse aos seus discípulos que eles seriam conhecidos como tais pelo
amor que teriam uns pelos outros (João 13:34,35). Isso foi dito após uma
situação em que o Mestre lavara-lhes os
pés. Os discípulos seriam enviados ao
mundo, teriam muito trabalho a fazer, novos desafios e estariam presentes em
vários lugares, em diversas circunstâncias. Como seriam identificados? Até
porque em um contexto de perseguição religiosa, algo certamente os identificaria.
Percebemos que naquela sociedade os rótulos já eram
presentes. Certa vez se referiram a Jesus com o filho do carpinteiro (“Não é este o carpinteiro, filho de Maria e
irmão de Tiago, José, Judas e Simão? Não estão aqui conosco as suas irmãs? E ficavam escandalizados por causa dele.” - Marcos 6:3).
Outra vez, sobre alguns apóstolos como iletrados... (“Vendo a coragem de Pedro e de João, e percebendo que eram homens comuns
e sem instrução, ficaram admirados e reconheceram que eles haviam estado com
Jesus.” -
Atos 4:13). De fato,
sempre se espera das pessoas que tenham algo visível que chamem a atenção,
algum tipo de rótulo bonito.
O ser humano não mudou. Ainda precisa de embalagens bonitas
para ser aceito em alguns lugares. Pouco
se conhece do interior das pessoas, mas do seu exterior, do visível, já se deduz
o conteúdo. Erramos muitas vezes. Mas,
Jesus disse que o amor deveria ser o cartão de visitas do cristão. O amor pelo
próximo é algo intrínseco e transcende o estereótipo que temos para considerar
alguém como aceito. Não se faz, aqui, uma apologia ao feio e esquisito, mas uma
chamada à consciência para se pensar em como temos sido conhecidos, enquanto
cristãos. Jesus disse que seríamos conhecidos como discípulos dele se
tivéssemos amos uns pelos outros. Pelo amor é que as pessoas nos identificarão, se estivemos ou não com Jesus. Isso é o que não pode ser esquecido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigada por participar!