Outubro é o mês da criança. Pelo menos, é assim que muitos pensam. As lojas se enchem de brinquedos e os pais de contas a pagar. A criança fica ansiosa pelos presentes. Nada há de errado em dar presentes às nossas crianças, contudo, é preciso pensar no propósito desses presentes.
Muitos pais, com o corre-corre do dia a dia, não têm mais tempo para dar atenção a seus filhos, então os presentes, em algumas vezes, vêm ocupar essa lacuna deixada pela família. Porém, nenhum presente, por mais bonito e caro que seja, vai substituir a atenção dos pais. Crianças têm necessidades básicas, como valorização, aceitação e segurança. Tais necessidades precisam ser supridas por aqueles que estão lidando com elas, sua família.
Crianças precisam de valorização, precisam saber que têm importância como ser humano. Vivemos dias em que nossas crianças são pouco valorizadas na sociedade e na família. Elas não são ouvidas, não são respeitadas nem têm importância. Vemos muitas crianças rejeitadas por seus próprios familiares, como se elas fossem um fardo difícil de carregar. Muitas mães chegam a dizer aos seus filhos que eles não deveriam ter nascido, que são um peso em suas vidas. Palavras ditas por quem deveria incentivá-las podem fazer com que elas se sintam sem qualquer importância, uma criança sem referência de si própria. Poderá vir a ser um adulto sem amor próprio, sem qualquer estímulo na vida.
Crianças precisam ser aceitas pela família, precisam saber que são importantes no lar, que fazem parte daquela família; não que simplesmente estão ali por acaso. A aceitação aumenta seu valor e sua autoestima. Elas precisam entender que são aceitas, apesar de alguns erros que comentem.
Crianças precisam de segurança e essa segurança, em primeiro lugar, tem que estar em seu próprio lar. Muitas vezes elas se sentem mais seguras na rua do que em casa, pois seu lar é um lugar de constantes desentendimentos e violência. A criança insegura será um adulto cheio de traumas e medos e terá muitas dificuldades de relacionamento.
Então, nesse mês de outubro, que tal pararmos e revermos algumas posturas com nossos filhos? Que tal dizermos a eles que são importantes, que são necessários na família, que os amamos e que queremos o melhor para eles. Presentes não falam; nós falamos. Presentes não abraçam; nós abraçamos.
Talvez muitos pais nunca tenham vivido isso em sua infância, nunca ouviram palavras de amor, mas é hora de mudarmos essa história. Ainda é tempo de resgatarmos valores tão importantes na família.
Deus nos abençoe!
Vania Vianna
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