24 de jun. de 2011

SEGREDO REVELADO x QUEBRA DE CONFIANÇA

Num dia desses, conversando com algumas crianças, sobre quem já ouvira seus pais lhes fazerem elogios, chamá-los de filhos amados, etc, um menino murmurou: - minha mãe só fala coisas que não deve, tia! Achei estranha a resposta e, após todos saírem, fui ao seu encontro saber a causa de seu comentário. A criança expressou sua tristeza quando, ao contar para sua mãe, coisas que ele considera íntimas, ela simplesmente comenta com terceiros, causando-lhe constrangimentos.
Essa questão é séria e merece nossa reflexão enquanto educadores e pais. O segredo que uma criança compartilha, abrindo o seu coração a um adulto em quem confia, precisa ser respeitado. Afinal, é o seu segredo.
Muitos pais não entendem essa questão em relação aos seus filhos e fazem de suas confidências um assunto revelado aos amigos, parentes e até as outras crianças. É preciso entender que nossos filhos têm suas reservas emocionais e psicológicas. Quando a criança encontra em um adulto alguém de sua confiança, ela vai abrir seu coração e falar do que sente. Esse canal de comunicação não pode ser fechado, mas sempre incentivado.
Em casos de violência contra crianças é muito comum a criança guardar um segredo que simplesmente vai lhe torturar por muito tempo caso não encontre alguém em quem possa confiar e se abrir. Os pais precisam ensinar aos seus filhos que segredos que fazem mal ao coração não devem ser guardados, mas para isso precisam estabelecer com os filhos essa linha de comunicação franca e direta.
As oportunidades de diálogo sempre surgem. A criança em risco vai clamar por ouvidos que lhe escutem. Podemos estimular esse momento junto aos nossos filhos. Talvez à noite quando a criança vai se deitar, possamos estar ao lado dela, conversando, perguntando sobre o seu dia, seus amiguinhos, etc. A correria que há hoje é muito nociva ao entendimento entre pais e filhos.
No que se refere ao educador, este também precisa ser atento às necessidades de seus alunos. A criança pode estar pedindo ajuda ou simplesmente querendo ser ouvida por alguém de quem ela gosta e confia. O professor, muitas vezes, terá que parar e olhar nos olhos de seu educando, atendendo ao seu pedido.
Mas, voltando ao início da história, como aquele menino precisava que sua mãe fosse sua confidente de verdade! Senti uma tristeza por isso e também um desejo ardente de que nós, pais, mães e educadores, possamos aprender mais a ouvir nossos filhos com o coração e não somente com os ouvidos.


Vania Vianna

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