
Nós, seres humanos, somos por natureza imitadores de alguém, ou de algo. Por mais que sejamos autônomos, livres, mas a verdade é que, em algum momento da vida, vamos nos pegar agindo como alguém.
A questão é a quem imitamos? Nosso espelho pode ser alguém bom ou mau, depende da visão que temos dessa pessoa.
Em se tratando de crianças, elas sempre imitarão alguém. É importante para seu desenvolvimento e faz parte dele, ter um referencial, alguém em quem ela vai se espelhar, que poderá ser seu super-homem ou sua mulher-maravilha. E ela vai caminhando como esse referencial caminha, agindo como ele age, vivendo como ele vive.
Pais e filhos habitam, via de regra, o mesmo espaço. Os filhos tendem a imitar seus pais, aquelas que são as primeiras pessoas de seu contexto de vida. Pais precisam lembrar que suas atitudes refletem no comportamento de seus filhos, sejam elas sábias ou não. É muito comum pais falando aos seus filhos sobre algumas atitudes que estes não deveriam ter, mas eles mesmos não agem como deveriam. Ou seja, falam, mas não são exemplos nas atitudes. E a criança vai crescendo confusa nesse contexto, afinal, ela deve ou não agir como seus pais?
Mas, por outro lado, pais não são perfeitos. Pais erram e erram muito. Então, o quanto de nossos erros, como pais, precisam ser repensados e discutidos com nossos filhos? A questão é que o mito de pais perfeitos é somente um mito, não é verdade, porque nunca atingiremos essa perfeição no educar e no agir com nossos filhos. O que precisa ser desenvolvido é o entendimento que poderemos melhorar sempre. Erramos, sim, em nosso processo educativo. Muitas são as vezes em que não somos exemplos para nossos filhos, mas a consciência de que, mesmo errando, poderemos melhorar e não repetir tais erros, é que é o xis da questão. Dificilmente pais pedem desculpas a seus filhos. Dificilmente reconhecem que erraram em alguma atitude. Ou quando reconhecem, ficam em silêncio, não compartilham. Talvez o medo de perder a autoridade seja a causa de não se exporem. A criança não perderá a admiração que tem por seus pais ao ver seus erros, mas por perceber neles a incapacidade de reconhecer o que fizeram.
Não precisamos viver a paranóia dos pais perfeitos porque não o seremos nesta vida, mas precisamos buscar sermos exemplos, e exemplo não é o que não erra, mas o que tem capacidade de reconhecer seu erro e superá-lo com uma mudança de atitude.
Vania Vianna
Erram sim e muito. O meu me cobrava testemunho de adulto e tambem comportamento de adulto. Atualmente há uma mistura de criança, adolescente e adulto dentro de mim. Afinal na idade sou um aduto com mais de 30 e emocionalmente há essa mistura que nem eu me entendo.
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