25 de mai. de 2010

PEDRAS QUE CLAMAM

Há algum tempo atrás vi uma reportagem na televisão sobre uma criança que acionou a polícia porque estava sendo vítima de abuso em sua própria casa. A polícia atendeu ao chamado e deu o flagrante, prendendo o abusador.
Fiquei impressionada com a atitude da criança, que era pequena (acho que oito anos). Chamou-me a atenção sua iniciativa, seu pedido de socorro, seu clamor a quem pudesse ajudá-la.
Lembrei de imediato da passagem bíblica que fala que "se estes se calarem, logo as pedras clamarão...". Até que ponto estamos deixando de clamar pelos aflitos? Será que muitas vezes não estamos mudos diante da injustiça, da dor alheia, do choro das crianças oprimidas? Percebemos que elas mesmas estão clamando com suas próprias bocas, quando nós deveríamos ser essas bocas, a profetizar, a denunciar, a agir em favor delas.
No contexto bíblico, pedras podem ser interpretadas como pessoas, como vidas, e como tais, elas estão pedindo ajuda em nosso mundo. Por todos os lados há um grito clamando por ajuda, por misericórdia, mas muitas vezes ninguém ouve esse grito.
Por alguns dias fiquei pensando naquela situação, e creio que houve muito medo quando a criança mesma pediu socorro às autoridades. Quanto dor ela já não havia passado até chegar a esse ponto! Será que ninguém a ouvia clamar???
Aprendi muito com essa experiência. As palavras da minha boca devem ser em louvor a Deus e uma forma de louvar é se deixar usar por Ele, é ser sensível a sua voz, ao seu coração e isso está relacionado à dor do meu próximo. Quando eu penso em Deus eu preciso externar isso olhando o meu próximo, ouvindo o choro de uma criança em angústia.
Deus faça a mim e cada um de nós sensíveis e porta-vozes dos aflitos.

Vania Vianna

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