Uma experiência marcou a minha vida. Certa vez uma irmã muito querida, senhora já, com seu “coquinho” na cabeça e cheia de Jesus no coração, entrou na sala onde eu estava e, aos prantos, fez-me a seguinte confissão:
- "Ontem a irmã fulana foi em minha casa e disse-me que Deus lhe mostrara minha filha e meu genro mortos num acidente horrível. Disse-me para orar muito porque Deus a prova seria grande... e completou: - eu tenho avisado a minha filha que ela precisa voltar pra Jesus!”
Enquanto essa irmã contava sua experiência, meu coração derretia de compaixão por vê-la tão aflita. Sem muito esperar, peguei a bíblia e pedi que abrisse no texto de 1º Coríntios 14:3
“Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.”
Após ler esse texto, eu perguntei: a palavra que a senhora recebeu edificou seu coração? Exortou-a a respeito de alguma conduta ou consolou-a de alguma dor? Agora, com uma expressão mais aliviada, como alguém que estava tendo um entendimento da Palavra, ela respondeu-me: - não, simplesmente deixou-me aflita e eu não tenho dormido direito.
Após explicar-lhe o contexto dos dons espirituais, ela deixou minha sala com um sentimento de descanso em Deus, pois é Ele quem dá ou tira a vida.
Aprendi muito com essa senhora, e percebi quantas pessoas vivem a mesma angústia, sem o pleno conhecimento da verdade de Deus tão claramente explícita em Sua Palavra. Conheço pessoas escravizadas por palavras supostamente ditas por profetas de Deus, mas que não têm nenhum respaldo bíblico. Então vivem assustadas, temerosas e preocupadas com o futuro. Seus corações são cheios de ansiedade e desenvolvem uma espécie de fobia de Deus. Não desfrutam da liberdade descrita em João 8:32, que mostra que o que traz essa liberdade é conhecer e viver a Palavra verdadeira. Já vi irmãos queridos que mudaram sua vida em função de profecias. Não sou contra profecias se estas têm respaldo na bíblia, mas se são meramente desejos do coração humano, então não podem ser dogmatizadas, não podem se constituir regras de conduta. O cristão deve viver pautado no que a Palavra orienta e, assim, buscar discernimento espiritual para provar os espíritos, se procedem ou não de Deus.
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