1 de out. de 2012

FALANDO NAS COMUNIDADES RELIGIOSAS SOBRE ABUSO SEXUAL INFANTIL



Há um tempo atrás, em um agrupamento religioso, levantou-se o assunto sobre pedofilia e os riscos que nossos filhos correm. Percebi que, ao começar o assunto, algumas pessoas se levantaram contrariadas e saíram, justificando que esse tipo de assunto não é para ser falado em igrejas. Pensam que em ambiente assim, só se fala em céu, paraíso, coisas bonitas, bênçãos, sorrisos, etc.  Passou...
Em um trabalho feito com crianças da mesma comunidade, após uma estória de fantoches, ouvi uma criança dizer que todas as noites conversava com um “amigo” na internet, e, diante do diálogo que travavam, a criança pôde ser orientada para o risco que corria e como deveria manter seus pais informados a respeito.
Nas duas situações, ocorridas no mesmo espaço e em tempos diferentes, é clara a questão de que ainda há muitos tabus ao se falar sobre abuso sexual em crianças e adolescentes, quando dentro de ambientes religiosos.
Felizmente, em algumas comunidades, esse mito de que dentro das igrejas elas estão protegidas, tem caído por terra. Todas as crianças podem ser alvo fácil de predadores que ficam à procura de suas vítimas. Daí a necessidade de se abordar essa temática nas igrejas, de forma preventiva.
Se fizermos alusão à família do rei Davi, veremos que o abuso ocorreu dentro de sua família, em um ambiente supostamente protegido. Sua filha Tamar foi agredida pelo próprio irmão carnal. Quem imaginaria isso, dentro de uma família cujo líder era um homem temente a Deus?
Penso que ainda temos um longo percurso a caminhar no sentido de orientar os pais e crianças sobre o perigo do abuso sexual. Em tempos de alta tecnologia da informática, os pais precisam se informar e compreender o universo, nem sempre cor-de-rosa, que seus filhos enfrentam. Diálogos precisam ser abertos. O autoritarismo necessita quedar-se a ouvir  o clamor de seus filhos. Muitas vezes esse grito não vai ser audível, mas vai ser expresso através de atitudes, de desenhos ou outros mecanismos que a criança (principalmente pequena) vai desenvolver. Como fazer essa leitura se não aprender, antes, a ler nas entrelinhas?
A igreja é um excelente espaço  para promover o bem-estar da criança e do adolescente. Os assuntos do chão da existência devem ser abordados de forma clara e sensata. É preciso assumir o papel de luz e sal, dentro e fora do ambiente religioso.
O clamor delas chega aos ouvidos do Pai, mas seremos nós, seus agentes não-secretos, que vamos assumir a posição de porta-vozes, como diz em Provérbios 31:8-9: "Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os direitos dos pobres e dos necessitados". 

2 comentários:

  1. Seu blog é muito bom, gostei de tudo o que vi e li, dou-lhe meus parabéns. É preciso mudar as leis, que estas sejam mais rigorosas, e os pais estejam mais atentos ao que os filhos fazem, uma amizade bem contruida entre pais e filhos pode evitar muitos dissabores .
    Com votos de grandes vitórias na sua vida.
    PS. Se desejar faça uma visita e deixe seu comentário. Se pretender seguir saiba que irei retribuir.
    Sou António Batalha.

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    1. Obrigada pelas palavras. Vou conhecer seu blog, sim...

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