Há um tempo atrás, em um agrupamento
religioso, levantou-se o assunto sobre pedofilia e os riscos que nossos filhos
correm. Percebi que, ao começar o assunto, algumas pessoas se levantaram contrariadas
e saíram, justificando que esse tipo de assunto não é para ser falado em
igrejas. Pensam que em ambiente assim, só se fala em céu, paraíso, coisas
bonitas, bênçãos, sorrisos, etc.
Passou...
Em um trabalho feito com crianças
da mesma comunidade, após uma estória de fantoches, ouvi uma criança dizer que
todas as noites conversava com um “amigo” na internet, e, diante do diálogo que
travavam, a criança pôde ser orientada para o risco que corria e como deveria
manter seus pais informados a respeito.
Nas duas situações, ocorridas no
mesmo espaço e em tempos diferentes, é clara a questão de que ainda há muitos
tabus ao se falar sobre abuso sexual em crianças e adolescentes, quando dentro
de ambientes religiosos.
Felizmente, em algumas
comunidades, esse mito de que dentro das igrejas elas estão protegidas, tem caído
por terra. Todas as crianças podem ser alvo fácil de predadores que ficam à
procura de suas vítimas. Daí a necessidade de se abordar essa temática nas
igrejas, de forma preventiva.
Se fizermos alusão à família do
rei Davi, veremos que o abuso ocorreu dentro de sua família, em um ambiente
supostamente protegido. Sua filha Tamar foi agredida pelo próprio irmão carnal.
Quem imaginaria isso, dentro de uma família cujo líder era um homem temente a
Deus?
Penso que ainda temos um longo
percurso a caminhar no sentido de orientar os pais e crianças sobre o perigo do
abuso sexual. Em tempos de alta tecnologia da informática, os pais precisam se
informar e compreender o universo, nem sempre cor-de-rosa, que seus filhos
enfrentam. Diálogos precisam ser abertos. O autoritarismo necessita quedar-se a
ouvir o clamor de seus filhos. Muitas vezes
esse grito não vai ser audível, mas vai ser expresso através de atitudes, de
desenhos ou outros mecanismos que a criança (principalmente pequena) vai
desenvolver. Como fazer essa leitura se não aprender, antes, a ler nas
entrelinhas?
A igreja é um excelente
espaço para promover o bem-estar da
criança e do adolescente. Os assuntos do chão da existência devem ser abordados
de forma clara e sensata. É preciso assumir o papel de luz e sal, dentro e fora
do ambiente religioso.
O clamor delas chega aos ouvidos
do Pai, mas seremos nós, seus agentes não-secretos, que vamos assumir a posição
de porta-vozes, como diz em Provérbios 31:8-9: "Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor
de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda os
direitos dos pobres e dos necessitados".

Seu blog é muito bom, gostei de tudo o que vi e li, dou-lhe meus parabéns. É preciso mudar as leis, que estas sejam mais rigorosas, e os pais estejam mais atentos ao que os filhos fazem, uma amizade bem contruida entre pais e filhos pode evitar muitos dissabores .
ResponderExcluirCom votos de grandes vitórias na sua vida.
PS. Se desejar faça uma visita e deixe seu comentário. Se pretender seguir saiba que irei retribuir.
Sou António Batalha.
Obrigada pelas palavras. Vou conhecer seu blog, sim...
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