Vivemos dias em que a correria é tanta que mal temos tempo
para acolher as palavras ditas, às vezes no silêncio, de quem caminha próximo a
nós. Há uma angústia enorme em quem precisa falar, em quem busca ouvidos
solidários que, simplesmente vão ser emprestados ao aflito.
Mas, como perceber essa necessidade se nem a nós mesmos
ouvimos? Quantas vezes nossas palavras se calam e reprimimos sentimentos,
empurrando-os para o fundo do baú? Ouvir
é uma arte... e um desafio!!!
E o desafio começa em nosso próprio espaço. Dentro dos
próprios lares quase não tem havido tempo para o ouvir. Até há para o falar,
mas pouco ou quase nada para o ouvir. As relações interpessoais estão adoecidas
porque a alma tem estado carente. Pouco sentamos à mesa (ou em qualquer outro
lugar) para jogarmos conversa fora, rirmos, falarmos dia a dia, trazermos à
memória lembranças gostosas... Só ficou a saudade!!! Parece que nos falta força
para recuperarmos essa prática.
Parafraseando as palavras do Papa Francisco, em recente
viagem ao Rio: como ser mãe à distância? Como cuidar somente por correspondência?
Não há como! A mãe tem que estar perto, tem que dar o colo, abrigar, acolher...
E como sentimos falta disso nessa vida frenética! Quantas vezes somos como mãe
de pessoas que necessitam ser ouvidas! Quantas vezes somos desafiados a acolher
pequenos e grandes, sem preconceito, sem rotular ou ver o estereótipo! Acolher
ao que nos é simpático, ao que pensa parecido conosco, ao que faz parte do mesmo
grupo social é mais fácil. Mas o desafio é acolher ao que pensa oposto, ao que
não caminha no mesmo trilho, ao que é solitário por se sentir diferente.
Talvez o que nos falte é a lembrança das sábias palavras: “acolhei-vos
uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus Pai” (Rm
15.7).
O meu desafio de vida é saber ouvir mais, é acolher mais, é
dar mais colo. E encontrar também no calor de um colo, um amigo pronto para ouvir.
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