17 de ago. de 2013

ACOLHENDO

Vivemos dias em que a correria é tanta que mal temos tempo para acolher as palavras ditas, às vezes no silêncio, de quem caminha próximo a nós. Há uma angústia enorme em quem precisa falar, em quem busca ouvidos solidários que, simplesmente vão ser emprestados ao aflito.
Mas, como perceber essa necessidade se nem a nós mesmos ouvimos? Quantas vezes nossas palavras se calam e reprimimos sentimentos, empurrando-os para o fundo do baú?  Ouvir é uma arte... e um desafio!!!
E o desafio começa em nosso próprio espaço. Dentro dos próprios lares quase não tem havido tempo para o ouvir. Até há para o falar, mas pouco ou quase nada para o ouvir. As relações interpessoais estão adoecidas porque a alma tem estado carente. Pouco sentamos à mesa (ou em qualquer outro lugar) para jogarmos conversa fora, rirmos, falarmos dia a dia, trazermos à memória lembranças gostosas... Só ficou a saudade!!! Parece que nos falta força para recuperarmos essa prática.
Parafraseando as palavras do Papa Francisco, em recente viagem ao Rio: como ser mãe à distância? Como cuidar somente por correspondência? Não há como! A mãe tem que estar perto, tem que dar o colo, abrigar, acolher... E como sentimos falta disso nessa vida frenética! Quantas vezes somos como mãe de pessoas que necessitam ser ouvidas! Quantas vezes somos desafiados a acolher pequenos e grandes, sem preconceito, sem rotular ou ver o estereótipo! Acolher ao que nos é simpático, ao que pensa parecido conosco, ao que faz parte do mesmo grupo social é mais fácil. Mas o desafio é acolher ao que pensa oposto, ao que não caminha no mesmo trilho, ao que é solitário por se sentir diferente.
Talvez o que nos falte é a lembrança das sábias palavras: “acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus Pai” (Rm 15.7). 
O meu desafio de vida é saber ouvir mais, é acolher mais, é dar mais colo. E encontrar também no calor de um colo, um amigo pronto para ouvir.

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